Blame
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1 | # Secadores |
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| 3 | **Trabalho realizado por:** |
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| 4 | Francisco Brandão |
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| 5 | Miguel Santinho |
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| 7 | **Março de 2021** |
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| 10 | Secagem é uma operação de transferência de massa que consiste na remoção de umidade (água), ou de qualquer outro solvente de um sistema sólido ou semi-sólido. |
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| 12 | Esta necessidade de redução da água do sólido pode dever-se a diversas razões tais como: [1][2] |
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| 14 | - Atingir uma determinada qualidade final de produto; |
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| 15 | - Obter maior facilidade no manuseamento dos sólidos; |
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| 16 | - Melhorar a conservação e o armazenamento; |
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| 17 | - Reduzir o custo de transporte dos sólidos. |
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| 21 | # SECADORES |
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| 23 | **Classificação dos secadores:** |
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| 25 | 1. **Regime de operação** |
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| 26 | - Contínuo |
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| 27 | - Descontínuo (batch) |
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| 29 | 2. **Forma de transferência de calor:** |
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| 30 | - Convecção |
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| 31 | - Radiação |
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| 32 | - Energia dielétrica |
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| 33 | - Condução |
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| 35 | 3. **Modo de manuseamento de sólidos** |
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| 36 | - Circulação cruzada |
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| 37 | - Circulação transversal |
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| 38 | - Secador rotativo |
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| 39 | - Transporte pneumático |
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| 40 | - Atomização |
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46 | Figura 1 – Tipos de secadores [1] |
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| 48 | <table> |
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| 49 | <tr> |
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| 50 | <td colspan="2" align="center"><strong>Secadores de sólidos</strong></td> |
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| 51 | </tr> |
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| 52 | <tr> |
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| 53 | <td align="center"><strong>Contacto direto (convecção)</strong></td> |
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| 54 | <td align="center"><strong>Energia radiante e dielétrica</strong></td> |
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| 55 | <td align="center"><strong>Contacto indireto (condução)</strong></td> |
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| 56 | </tr> |
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| 57 | <tr> |
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| 58 | <td> |
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| 59 | <ul> |
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| 60 | <li><strong>Contínuo:</strong> Tablueiros, Transporte pneumático, Atomização, Túnel, Leito fluidizado, Circulação transversal</li> |
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| 61 | <li><strong>Descontínuo:</strong> Tablueiros, Circulação transversal, Leito fluidizado</li> |
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| 62 | </ul> |
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| 63 | </td> |
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| 64 | <td> |
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| 65 | <ul> |
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| 66 | <li><strong>Contínuo:</strong> Cilindro, Tambor, Parafuso, Tubos de vapor, Tablueiros vibratórios</li> |
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| 67 | <li><strong>Descontínuo:</strong> Panela agitada, Congelamento, Rotativos de vácuo, Tablueiros de vácuo</li> |
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| 68 | </ul> |
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| 69 | </td> |
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| 70 | </tr> |
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| 71 | </table> |
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75 | # Secador de tabuleiros |
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| 77 | Os secadores de tabuleiro são preferencialmente utilizados quando se tem como objetivo secar materiais granulares. O material a secar é colocado numa série de tabuleiros sendo o aquecimento feito diretamente por contacto com o gás de secagem (Figura 2a), ou indiretamente usando tabuleiros aquecidos, serpentinas de aquecimento ou paredes refratárias dentro do equipamento (Figuras 2b e 2c). |
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| 79 | Uma boa operação de secadores de tabuleiros deve manter a temperatura constante e uma velocidade uniforme sobre o material a ser seco, o que se consegue através de um apropriado dimensionamento no que toca aos ventiladores e chicanas. [1] |
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83 | Figura 2 – Esquema de secadores em tabuleiro[1] |
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87 | Figura 3 – Secador de tabuleiros[3] |
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| 91 | # Secadores rotativos |
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| 93 | Os secadores rotativos são geralmente formados por uma câmara cilíndrica e rotativa horizontal, ou com uma pequena inclinação (entre 1 a 5º em relação à horizontal), o que facilita a progressão do sólido dentro do equipamento. |
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| 95 | Os sólidos são introduzidos numa das extremidades do secador são depois transportados por ação da gravidade ao longo do secador, sendo que a progressão dos sólidos ao longo do equipamento pode ser condicionada pelo atrito resultante do movimento do gás que circula em co ou contracorrente com o fluido. |
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| 97 | Dentro dos mais populares secadores rotativos encontram-se os secadores rotativos de contacto direto na Figura 4, que são geralmente os mais simples e económicos. Com velocidades de gás a rondar os 3 m/s para os co-corrente e 2 m/s nos contra corrente, pode contar com rendimentos na gama dos 30 a 80%. [1] |
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| 103 | Figura 4 – Esquema representativo de um secador rotativo de contacto direto |
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| 105 | No que toca aos secadores de contacto indireto, o mais frequente é o secador de tubos de vapor, representado na Figura 5 e 6. Este tipo de secador é usado quando há uma impossibilidade de exposição direta do produto ao gás quente. É particularmente indicado para materiais granulares ou em pó e apresenta eficiências de 70 a 90%.[3] |
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| 110 | Figura 5 – Esquema representativo de Secador de tubos de vapor |
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| 115 | Figura 6 – Secador de tubos de vapor |
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| 118 | ## Secadores de transporte pneumático |
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| 120 | Os secadores de transporte pneumático (air lift) são usados em materiais termossensíveis, dado que não induzem danos térmicos às partículas sujeitas.[1][6] |
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| 121 | ||||||||
| 122 | Com uma granulometria muito pequena, entre 10–500 mm, as partículas são transportadas por uma corrente gasosa a uma temperatura elevada que pode atingir os 600°C, como representado na Figura 7.[1][7] O processo atinge velocidades elevadas permitindo um tempo de secagem de 3 ou 4s, a temperatura das partículas pode atingir até 400°C.[1] |
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| 124 | A Figura 7 demonstra o processo de secagem onde o material húmido é inserido no misturador que facilita a fluidez do processo, misturando as partículas húmidas e secas, provenientes do ciclone. A secagem ocorre durante transporte entre o misturador, o moinho e o ciclone, as partículas são transportadas pela corrente de gás quente resultante da fornalha. Os sólidos são transportados pela corrente de gás em direção ao ciclone, cuja função é separar o sólido seco do gás, sendo a corrente gasosa retirada por um ventilador.[1] |
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| 130 | Figura 7 — Esquema de um secador de transporte pneumático |
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| 135 | Figura 8 — Secador de transporte pneumático |
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| 137 | Os secadores de transporte pneumático têm uma elevada capacidade de evaporação entre 11-200 kg de água evaporada/(m³ h).[1][6] Os consumos gerais de energia térmica e elétrica são de 4.5 MJ/kg e 0.2 MJ/kg, na devida ordem. |
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| 139 | ## Secadores de Leito Fluidizado |
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141 | Os secadores de leito fluidizado são comumente usados na secagem de partículas húmidas e materiais granulares que podem ser fluidizados. Dado que estes secadores também são usados em pastas e suspensões que podem ser fluidizadas em leitos de sólidos inertes.[9] Este tipo de secadores tem com fundamento os princípios da fluidização.[1] |
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| 143 | Na Figura 9 encontra-se representado um esquema comum de secagem por leito fluidizado, um processo onde a corrente contínua de gás é aquecida a uma temperatura desejada. Esta corrente gasosa aquecida atravessa uma placa difusora, que é impermeável à corrente de sólidos húmidos previamente introduzido na unidade, com a finalidade de secar as partículas húmidas. Após a secagem, o material seco sai continuamente por uma tubuladura lateral, enquanto a corrente de gás dirige-se para um ciclone e sucede-se a separação das partículas finas e o gás.[1] Na Figura 12 apresenta-se a unidade industrial deste tipo de secadores. |
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148 | Figura 9 – Esquema de um secador de leito fluidizado |
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| 152 | Figura 10 – Secador de leito fluidizado |
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| 154 | Altas velocidades de gás e temperaturas controladas asseguram a máxima eficiência do processo. [10] |
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| 156 | O leito fluidizado permanece constantemente seco uma vez que o coeficiente de transferência de massa neste tipo de secadores é muito elevado. As suas capacidades de evaporação podem atingir 1000 kg de água evaporada/(m² h) e as velocidades específicas de gás na ordem dos 1800 a 7200 kg/(m² h). Nos secadores de leito fluidizado, o consumo energético encontra-se num intervalo de 2.7 e 7.5 MJ/kg de água evaporada. [1] |
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| 158 | ## Secadores de Tambor |
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| 160 | Os secadores de tambor são bastante utilizados em soluções com elevada viscosidade, suspensas, concentradas ou pastas, nomeadamente soluções alimentares líquidas. Usados na indústria alimentar, as soluções formam uma camada fina à superfície do secador que é aquecida interiormente por vapor, esquema apresentado na Figura 11 e equipamento apresentado na Figura 12. |
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| 162 | Esta camada gradualmente torna-se mais viscosa no decorrer do processo de evaporação da humidade do material, sendo removida por raspadores estáticos após três quartos do ponto de alimentação. No entanto, se o valor de humidade do material for muito elevado é usado ar quente e seco na superfície da camada. Após a camada ser removida do secador é triturada em flocos ou pó. [11][12] |
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| 166 | Figura 11 – Esquema de um secador de tambor |
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| 171 | Figura 12 – Secadores de tambor |
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172 | |||||||
| 173 | Este tipo de secadores tem tambores com diâmetros entre 0.45 a 1.5m com comprimentos de 1 a 3 m, onde a sua espessura vai de 2 a 4 cm. A pressão do vapor usado neste tipo de secadores encontra-se numa gama de 2 a 7 bar, a velocidade de rotação dos tambores pode alcançar valores num intervalo de 2 a 30 rpm enquanto a profundidade do canal ou zona entre tambores vai de 0.05 a 0.5mm. |
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| 175 | Este processo de secagem é geralmente rápido, uma vez que é um dos mais eficientes a níveis energéticos. Os coeficientes de transferência de calor são elevados, em cenários favoráveis, com valores entre 1200 e 1800 W/(m2K) e os valores de velocidade de secagem estão na gama dos 10 a 50 kg de água evaporada/(m2h). Recorrendo a vapor para usar na secagem onde o solvente é água os valores de consumo situam-se entre 1.3 e 1.5 kg de vapor/kg de água evaporada, convertendo para consumos específicos de vapor os valores rondam os 3000 a 3500 kJ/kg de água evaporada.[1][12] |
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178 | # Referências |
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| 179 | ||||||||
| 180 | [1] – Azevedo, E. G.; Alves, A. M., Engenharia de Processos de Separação. 3ªedição.; IST Press, Lisboa, 2017; |
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| 181 | ||||||||
| 182 | [2] – [https://pt.wikipedia.org/wiki/Secagem](https://pt.wikipedia.org/wiki/Secagem) (consultado em 25 de fevereiro); |
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| 183 | ||||||||
|
184 | [3] - [https://www.researchgate.net/publication/326165252_Effect_of_microwave_pretreatment_on_the_color_degradation_kinetics_in_mustard_greens_Brassica_juncea/figures?lo=1](https://www.researchgate.net/publication/326165252_Effect_of_microwave_pretreatment_on_the_color_degradation_kinetics_in_mustard_greens_Brassica_juncea/figures?lo=1) (consultado em 27 de fevereiro); |
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185 | |||||||
| 186 | [4] – Resende, A.; Concepção, modelação e simulação de um secador de pão moído; Tese em engenharia mecânica, Universidade de Aveiro, 2012; |
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| 187 | ||||||||
| 188 | [5] – [https://www.mfrural.com.br/detalhe/285230/secador-rotativo-a-vapor](https://www.mfrural.com.br/detalhe/285230/secador-rotativo-a-vapor) (consultado em 27 de fevereiro); |
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| 189 | ||||||||
| 190 | [6] – Euh, S. H.; Choi, Y. S.; Nam, Y. S.; Lee, C. G.; Lee, S. Y.; Oh, K. C.; Oh, J. H; Kim, D. H. Development of a real-time drying control system for a pneumatic conveying dryer for sawdust in pellet production, 2018, p.10-16; |
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| 191 | ||||||||
| 192 | [7] – [https://www.solidswiki.com/index.php?title=Pneumatic_Dryers](https://www.solidswiki.com/index.php?title=Pneumatic_Dryers) (consultado em 29 de fevereiro); |
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| 193 | ||||||||
| 194 | [8] – [https://pt.made-in-china.com/co_sinoder/product_20-Conveying-Distance-Air-Conveyor-Pneumatic-Conveying-System_eosinryng.html](https://pt.made-in-china.com/co_sinoder/product_20-Conveying-Distance-Air-Conveyor-Pneumatic-Conveying-System_eosinryng.html) (consultado em 29 de fevereiro); |
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| 195 | ||||||||
| 196 | [9] – Mujumdar, A. S. Handbook of Industrial Drying. 3 ed.; CRC Press: Boca Raton, 2006. |
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| 197 | ||||||||
| 198 | [10] – [http://www.solidswiki.com/index.php?title=Fluidized_Bed_Dryers](http://www.solidswiki.com/index.php?title=Fluidized_Bed_Dryers) (consultado em 29 de fevereiro); |
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| 199 | ||||||||
| 200 | [11] – [https://www.directindustry.com/pt/prod/diosna-dierks-soehne-gmbh/product-95201-1324031.html](https://www.directindustry.com/pt/prod/diosna-dierks-soehne-gmbh/product-95201-1324031.html) (consultado em 29 de fevereiro); |
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| 201 | ||||||||
| 202 | [12] – [https://s3.wp.wsu.edu/uploads/sites/1254/2016/04/book-drumdry-tang03.pdf](https://s3.wp.wsu.edu/uploads/sites/1254/2016/04/book-drumdry-tang03.pdf) (consultado em 29 de fevereiro); |
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| 203 | ||||||||
| 204 | [13] – [https://jlsintl.com/pg/products/dryer/atmospheric-drum-dryer.html](https://jlsintl.com/pg/products/dryer/atmospheric-drum-dryer.html) (consultado em 29 de fevereiro). |
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