Blame
|
1 | --- |
||||||
| 2 | title: Fornalhas |
|||||||
| 3 | author: |
|||||||
|
4 | - Marcelo Oliveira |
||||||
| 5 | - Maria Vieira |
|||||||
| 6 | - João Miguel Lopes |
|||||||
| 7 | - Pedro Miguel Esteves |
|||||||
|
8 | - Rodrigo Paredes |
||||||
| 9 | - Ruben Gariso |
|||||||
| 10 | - Linda Carvalho Cosendey |
|||||||
|
11 | date: 2020-02-29 |
||||||
|
12 | tags: #utilidades |
||||||
| 13 | --- |
|||||||
| 14 | ||||||||
| 15 | # Fornalhas |
|||||||
| 16 | ||||||||
|
17 | ## 1. Aspetos gerais |
||||||
|
18 | |||||||
| 19 | O funcionamento de uma unidade industrial pressupõe a geração de energia a partir de utilidades quentes e frias com o objetivo de satisfazer as necessidades entálpicas do processo. Normalmente existem diferentes tipos de utilidades que têm níveis térmicos diferentes entre si. Essas utilidades visam o aquecimento ou arrefecimento das correntes processuais dependendo da sua necessidade energética. |
|||||||
| 20 | ||||||||
| 21 | O aquecimento de correntes a altas temperaturas poderá recorrer a um termofluido quente ou a efluentes gasosos provenientes de fornalhas, deste modo, quando uma dada utilidade quente precisa de ser fornecida a uma temperatura elevada são utilizadas fornalhas para que seja possível atingir essa temperatura, a partir de gases de combustão provenientes da queima de um combustível. Assim, uma fornalha é um gerador de vapor destinado a converter a energia química do combustível em energia térmica, ou seja, processar a queima do combustível. |
|||||||
| 22 | ||||||||
| 23 | O projeto de uma fornalha depende de diversos fatores tais como, a função que esta apresenta no processo, a necessidade de aquecimento, o tipo de combustível e o modo de introdução de ar. Para o efeito de projeto utiliza-se a temperatura teórica de chama, uma vez que as diferenças de temperatura entre os gases de combustão e as correntes processuais são bastante mais elevadas que a diferença entre a temperatura teórica de chama e a temperatura real dos gases. Este pressuposto é bastante útil num projeto de uma fornalha, uma vez que a temperatura real da chama é muito difícil de determinar. |
|||||||
| 24 | ||||||||
| 25 | Numa fornalha, o calor produzido na câmara de combustão é transferido para os tubos circundantes onde passa o fluido a aquecer, por radiação ou por convecção, de forma a maximizar a energia transferida. Para garantir que a combustão seja completa, é necessário que o oxigênio entre na câmara em excesso, diminuindo, assim, as perdas e aumentando a eficiência da fornalha. |
|||||||
| 26 | ||||||||
|
27 | ## 2. Tipos de fornalhas e combustíveis utilizados |
||||||
|
28 | |||||||
| 29 | De acordo com o tipo e a qualidade do combustível disponível, a queima na fornalha pode ser em suspensão, em grelha ou em leito fluidizado. As fornalhas de queima em suspensão utilizam combustíveis líquidos e gasosos, geralmente óleo, gás natural, gás de processo ou pequenas partículas sólidas em suspensão, como por exemplo, carvão pulverizado, serragem, casca de arroz, etc. |
|||||||
| 30 | ||||||||
| 31 | Já as fornalhas de queima em grelha ou leito fluidizado usam como fonte de energia o carvão mineral, carvão vegetal, bagaço de cana, lenha e lixo urbano. |
|||||||
| 32 | ||||||||
| 33 |  |
|||||||
| 34 | ||||||||
| 35 | _**Figura 1.** Poder Calorífico Inferior (PCI) e Equivalente em toneladas de Petróleo (tEP) de diferentes combustíveis_ |
|||||||
| 36 | ||||||||
| 37 | Existem quatro categorias de fornalhas: natural draft, ar forçado, forced draft e de condensação. |
|||||||
| 38 | ||||||||
|
39 | ### 2.1 Fornalhas do tipo natural draft, ar forçado, forced draft e de condensação. |
||||||
|
40 | |||||||
| 41 | As fornalhas de natural draft utilizam o calor gerado nos permutadores de calor, onde este ar aquecido é conduzido através de um sistema de ventilação (chaminés, tubos, etc) para o aquecimento de determinados espaços, por exemplo as habitações. |
|||||||
| 42 | ||||||||
| 43 | Para a substituição das antigas fornalhas de natural draft foram criadas as fornalhas de convecção forçada, sendo o seu funcionamento similar às anteriores. Desta forma o ar quente circula por intermédio de ventoinhas que dão movimento ao ar aquecido. Além disto a sua eficiência ronda os 60%. |
|||||||
| 44 | ||||||||
| 45 | As fornalhas de forced draft têm menor dimensão, comparando com as anteriores. A diferença entre esta fornalha e a fornalha de convecção forçada é que para além da utilização das ventoinhas também utiliza os gases de combustão (oriundos do aquecimento) para ajudar no movimento do ar aquecido, aumentando a sua eficiência. |
|||||||
| 46 | ||||||||
| 47 | Por último, as fornalhas de condensação incluem uma área de combustão isolada e um segundo permutador. Como o permutador de calor retira calor dos gases de purga, esta energia pode ser usada para condensar vapor de água e outros químicos. A sua eficiência pode chegar aos 98%. |
|||||||
| 48 | ||||||||
|
49 | ### 2.2 Fornalhas Industriais |
||||||
|
50 | |||||||
| 51 | Uma fornalha industrial é um equipamento usado para fornecer calor a um determinado processo, podendo até servir de reator em determinadas situações. Assim sendo, o design das fornalhas depende da função a que estão destinadas, das necessidades de calor do processo, do tipo de combustível utilizado e do método de introdução do ar de combustão. |
|||||||
| 52 | ||||||||
| 53 | Este equipamento é especialmente usado quando se pretende atingir temperaturas mais elevadas, normalmente acima dos 400°C. O calor gerado pode ser proveniente de duas vias: através da queima de um combustível ou através de eletricidade. As fornalhas mais modernas operam com uma eficiência térmica entre os 80 e 90% dependendo do tipo de combustível e do excesso de ar necessário. |
|||||||
| 54 | ||||||||
| 55 | O diâmetro dos tubos toma os valores, normalmente, entre 75 e 150 mm. A velocidade típica nestes tubos varia entre 1 a 2 m/s quando a sua função é fornecer calor ao processo, e menores que 1 m/s quando tem uma função de reator. Para baixas temperaturas, o material usado é o aço carbônico, enquanto para altas temperaturas as fornalhas são feitas de aço inoxidável e aços de liga especial. |
|||||||
| 56 | ||||||||
| 57 |  |
|||||||
| 58 | ||||||||
| 59 | _**Figura 2.** Fornalha Industrial em operação_ |
|||||||
| 60 | ||||||||
| 61 | ## 3. Componentes das fornalhas industriais |
|||||||
| 62 | ||||||||
| 63 |  |
|||||||
| 64 | ||||||||
| 65 | _**Figura 3.** Fornalha Industrial em operação_ |
|||||||
| 66 | ||||||||
| 67 | ### 3.1 Seção Radiante |
|||||||
| 68 | ||||||||
| 69 | É a zona da fornalha onde os tubos recebem a maior parte do calor por radiação da chama. Este valor fixa-se entre os 50 a 70% do calor total transferido neste equipamento. A temperatura do gás vai depender do combustível utilizado e da quantidade de ar em excesso. Para combustíveis gasosos é usado normalmente 20% de ar em excesso. |
|||||||
| 70 | ||||||||
| 71 | Nesta zona os tubos podem estar dispostos horizontal ou verticalmente, conectados por uma curva em U, ou de forma helicoidal. |
|||||||
| 72 | ||||||||
| 73 | A transferência de calor nesta seção é dada pela equação de **Stefan-Boltzmann**: |
|||||||
| 74 | ||||||||
|
75 | $q_r = \sigma T^4$ |
||||||
|
76 | |||||||
| 77 | Onde: |
|||||||
|
78 | - qr = fluxo de calor por radiação, $W \cdot m^{-2}$ |
||||||
| 79 | - sigma = constante de Stefan-Boltzmann, $5.67 \times 10^{-8} \ W \cdot m^{-2} \cdot K^{-4}$ |
|||||||
| 80 | - T = temperatura da superfície, K |
|||||||
|
81 | |||||||
| 82 | Para a troca de calor entre os tubos e os gases de combustão, a equação é: |
|||||||
|
83 | $Q_r = \sigma \cdot (\alpha \cdot A_{cp}) \cdot F \cdot (T_g^4 - T_t^4)$ |
||||||
| 84 | ||||||||
|
85 | Onde, |
||||||
| 86 | - Qr = taxa de transferência de calor por radiação, W |
|||||||
| 87 | - Ac = área dos tubos, m² |
|||||||
| 88 | - α = fator de eficiência de absorção |
|||||||
| 89 | - F = fator de troca por radiação |
|||||||
| 90 | - Tg = Temperatura dos gases quentes, K |
|||||||
| 91 | - Tt = Temperatura da superfície do tubo, K |
|||||||
|
92 | |||||||
| 93 | ### 3.2 Secção de Convecção |
|||||||
| 94 | Localizada acima da secção radiante, nesta zona o calor é transferido por convecção. Esta zona serve para recuperar o calor dos gases de purga. Os tubos localizados nesta secção estão geralmente protegidos da radiação, uma vez que são constituídos por materiais menos resistentes a altas temperaturas. É nesta secção que se dá a maior parte da queda de pressão. Comparativamente à secção radiante, esta queda de pressão é consideravelmente maior, pelo que por vezes se despreza a queda de pressão na secção radiante. |
|||||||
| 95 | ||||||||
| 96 | ### 3.3 Câmara de combustão |
|||||||
| 97 | A função principal de uma câmara de combustão é naturalmente queimar a mistura ar/combustível, adicionando energia calorífica ao ar, para isso a câmara de combustão deve queimar esta mistura de forma eficiente. |
|||||||
| 98 | ||||||||
| 99 | Desta forma e dependendo do tipo de combustível introduzido o ar, existem vários tipos de queimadores que estão dentro da câmara de combustão, tais como: |
|||||||
| 100 | ||||||||
| 101 | #### ▪ Queimador com retorno de óleo |
|||||||
|
102 | Existe um movimento de rotação do líquido que é obtido com pressões (na bomba) e caudais (nos canais tangenciais) altos e constantes. Aqui a variação de capacidade do queimador é controlada pela quantidade de óleo de retorno. Esta pressão de retorno é proporcional à capacidade de queima. No que diz respeito à sua capacidade, este queimador consegue operar com carga entre 10 e 15 % do valor máximo. |
||||||
| 103 | ||||||||
| 104 |  |
|||||||
| 105 | ||||||||
| 106 | _**Figura 4.** Queimador com Retorno de Óleo – esquema técnico_ |
|||||||
|
107 | |||||||
| 108 | #### ▪ Queimador de carvão pulverizado |
|||||||
| 109 | ||||||||
| 110 | Neste queimador existe um movimento de rotação na mistura do carvão pulverizado com o ar primário e é usual que existam condutas para um combustível auxiliar (óleo, gás), permitindo uma operação com carga de 40% acima do valor máximo. |
|||||||
| 111 | ||||||||
| 112 | O ar primário (ar quente) adota uma velocidade de 15 a 25 m/s de forma a conseguir arrastar o combustível e evitar um eventual retorno de chama. O ar utilizado na queima é pré-aquecido, ou seja, parte desse ar (primário) é utilizado apenas para transporte. |
|||||||
| 113 | ||||||||
| 114 | Este queimador necessita de equipamentos adicionais necessários para o armazenamento, dosagem e moagem do carvão e remoção das cinzas arrastadas com os gases de combustão. |
|||||||
| 115 | ||||||||
| 116 | O carvão pode ser introduzido em dois estados: |
|||||||
| 117 | ||||||||
|
118 | ##### Seco |
||||||
|
119 | - Tem cargas térmicas entre 170 e 230 kW/m³; |
||||||
| 120 | - Temperatura da combustão não deve ficar próxima à de fusão das cinzas; |
|||||||
| 121 | - Cinzas: parte destas caem por gravidade ao fundo da fornalha (remoção mecânica) e parte é arrastada pelos gases de combustão (remoção mecânica ou por precipitadores eletrostáticos). |
|||||||
| 122 | ||||||||
|
123 | ##### Húmido |
||||||
|
124 | |||||||
| 125 | - A chama é lançada para baixo (tempo e percurso para combustão completa no fundo da câmara). |
|||||||
| 126 | - O volume das câmaras é menor: temperaturas superiores às de fusão das cinzas (1540 ºC). As cinzas ficam no fundo da câmara na fase líquida. |
|||||||
| 127 | - Pouca cinza é arrastada com os gases. |
|||||||
| 128 | ||||||||
|
129 |  |
||||||
| 130 | ||||||||
| 131 | _**Figura 5.** Esquema de um Queimador de carvão pulverizado húmido_ |
|||||||
|
132 | |||||||
| 133 | #### ▪ Queimador de Sólidos (leito fixo) |
|||||||
| 134 | ||||||||
| 135 | O combustível é apoiado numa grelha (leito fixo) que atua como um reservatório de calor mantendo a combustão e promovendo a ignição. Neste queimador, a transferência de calor é feita por radiação da superfície quente do leito e por convecção dos gases quentes. |
|||||||
| 136 | ||||||||
| 137 | A remoção das cinzas é feita por baixo através das barras da grelha ou removendo-se as cinzas da grelha. São bastante utilizados em unidades pequenas e médias, com carvão até 12 t/h e em unidades maiores com bagaço de cana até aproximadamente 100 t/h. |
|||||||
| 138 | ||||||||
| 139 | As vantagens deste equipamento é que não são necessários equipamentos sofisticados para pulverização do combustível sólido ou limpeza dos gases de combustão, contudo tem a desvantagem de ocupar muito volume da fornalha e exige manutenção constante da grelha. |
|||||||
| 140 | ||||||||
|
141 |  |
||||||
| 142 | ||||||||
| 143 | _**Figura 6.** Queimador de Sólidos em Leito Fixo – esquema técnico_ |
|||||||
| 144 | ||||||||
|
145 | ### 3.4 Chaminé |
||||||
| 146 | ||||||||
| 147 | A chaminé é uma estrutura cilíndrica localizada no topo da fornalha e é por aqui que o gás de combustão é libertado para a atmosfera. A sua altura deve ser suficiente para atingir o caudal de ar de combustão necessário e para remover os produtos de combustão. Normalmente a pressão na chaminé é inferior à pressão na secção de convecção de modo a facilitar a libertação do gás. A altura da chaminé depende da temperatura dos gases de combustão, que saem da secção de convecção, e da pressão atmosférica. A diferença entre a pressão atmosférica e a pressão existente na fornalha designa-se por *draft*. Esta pode ser estimada pela seguinte equação: |
|||||||
| 148 | ||||||||
|
149 | $P_d = 0.35 \cdot L_s \cdot p' \cdot \left( \frac{1}{T_a} \cdot \frac{1}{T_{ga}} \right)$ |
||||||
|
150 | |||||||
| 151 | Onde: |
|||||||
|
152 | - P_d = pressão draft, mm H₂O |
||||||
| 153 | - L_s = altura da chaminé, m |
|||||||
| 154 | - p' = pressão atmosférica, mbar |
|||||||
| 155 | - T_a = temperatura ambiente, K |
|||||||
| 156 | - T_ga = temperatura média dos gases de escape, K |
|||||||
|
157 | |||||||
| 158 | Devido a perdas de calor a temperatura no topo da chaminé é de aproximadamente 80°C inferior à temperatura da sua base. |
|||||||
| 159 | ||||||||
| 160 | ### 3.5 Isolamento |
|||||||
| 161 | ||||||||
| 162 | O isolamento é uma parte muito importante da fornalha, isto porque aumenta a sua eficiência, ao minimizar o calor perdido na câmara de combustão. Alguns dos materiais mais utilizados são tijolo refratário e fibra cerâmica. |
|||||||
| 163 | ||||||||
| 164 | ## 4. Referências |
|||||||
| 165 | ||||||||
|
166 | [1]: **Jenkins, Barrie; Mullinger, Peter.** [_Industrial and Process Furnaces: Principles, Design and Operation. Butterworth-Heinemann._](https://books.google.pt/books?hl=pt-PT&lr=&id=cGVkEAAAQBAJ&oi=fnd&pg=PP1&dq=Jenkins,+Barrie%3B+Mullinger,+Peter.**+%5B_Industrial+and+Process+Furnaces:+Principles,+Design+and+Operation.+Butterworth-Heinemann.&ots=NEjw4MUEYz&sig=RRKk-pWoJusKrSQLDBwEYWAH0v4&redir_esc=y#v=onepage&q=Jenkins%2C%20Barrie%3B%20Mullinger%2C%20Peter.**%20%5B_Industrial%20and%20Process%20Furnaces%3A%20Principles%2C%20Design%20and%20Operation.%20Butterworth-Heinemann.&f=false) |
||||||
|
167 | |||||||
|
168 | [2]: **J. Coulson & J Richardson.** [_An introduction to Chemical Engineering Design._](chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://sakura03.wordpress.com/wp-content/uploads/2012/03/chemical_engineering_design__fourth_edition__chemical_engineering_volume_6__coulson__amp__richardson__039_s_chemical_engineering_.pdf) Chemical Engineering Volume 6, Pergamon Press; 1st edition 1983. |
||||||
|
169 | |||||||
|
170 | [3] https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4710008/mod_folder/content/0/MaqTermicas_Fornalhas.pdf?forcedownload=1. (Acesso em 26-02-2020) |
||||||
