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72a0e7 Carolina Rosário 2025-02-27 17:27:21
Gás Natural Francisca e Carolina
1
# Gás Natural
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Texto_gasnatural
2
# Gás Natural
3
4
<u>Trabalho realizado por:</u>
5
6
Carolina Sofia Rosário Aço - 2021232032
7
8
Francisca Machado Ferreira - 2021225461
9
10
Coimbra, Fevereiro de 2025.
11
12
# **Introdução**
13
14
## Definição do gás natural
15
16
O gás natural é um combustível fóssil e uma fonte de energia não
17
renovável. É constituído por uma mistura de derivados de combustíveis
18
fósseis que se forma ao fim de longos períodos de tempo a partir de
19
camadas de restos de animais, plantas e sedimentos geológicos, que
20
quando sujeitos a pressão e elevadas temperaturas dão origem a petróleo
21
e a esta fonte de energia. <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
22
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tentativa
23
## Composição do gás natural
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Texto_gasnatural
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26
A sua composição pode variar dependendo de fatores relativos às
27
condições em que o gás é produzido, processo de produção,
28
condicionamento, processamento e transporte. Ainda assim, é constituído
29
maioritariamente por metano (CH<sub>4</sub>), no entanto poderá ainda
30
conter outros hidrocarbonetos, dióxido de carbono e azoto. Por exemplo,
31
a energia que as plantas naturalmente absorvem, a luz do Sol, é
32
armazenada sob a forma de carbono, em gás natural, sendo esta uma
33
mistura de hidrocarbonetos leves encontrada no subsolo, na qual o metano
34
tem uma componente superior a 70% em volume. <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
35
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tentativa
36
![Composição do gás natural](./image1.png)
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Texto_gasnatural
38
**Figura 1-** Composição do gás natural
39
40
## Localização do gás natural
41
42
Este combustível pode ser encontrado em formações rochosas subterrâneas
43
ou em reservatórios de hidrocarbonetos em camadas de carvão através de
44
jazidas de petróleo, por acumulações em rochas porosas, isoladas do
45
exterior por rochas impermeáveis, associadas ou não a depósitos
46
petrolíferos. A maior parte do gás natural que é possível encontrar foi
47
formado pelo tempo, por dois mecanismos: os gases biogénicos (formados a
48
partir de microorganismos metanogénicos em pântanos ou aterros
49
sanitários) e termogénicos (formados a partir de material orgânico
50
soterrado a grandes profundidades, em condições de alta pressão
51
atmosférica). <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
52
53
## Tipos de gás natural
54
55
Existem dois tipos de gás natural: o GNV e o GLP. Embora se diferenciam
56
pela composição e aplicação, ambos são derivados do metano, sendo alguns
57
criados pelo homem e outros provenientes da natureza. Estes gases
58
naturais desempenham um papel fundamental em diversas áreas, desde o uso
59
doméstico até a indústria, devido à sua versatilidade e eficiência.
60
<sup>\[3\]</sup>
61
62
## Introdução do gás natural em Portugal
63
64
<img src="./image2.png" />
65
66
O gás natural foi introduzido em Portugal em 1997, para dar o acesso a
67
um novo tipo de energia competitiva, pouco poluente e cômoda. Esta
68
decisão aumentou a competitividade da indústria do gás natural,
69
especialmente nas que consomem muita energia e contribuiu para o
70
desenvolvimento social e bem-estar da sociedade ao reduzir os preços da
71
eletricidade. <sup>\[1\],\ \[2\],</sup> <sup>\[6\]</sup>
72
73
A **Figura 2** mostra por zonas a rede de distribuição do gás natural.
74
Em cada zona encontra-se atribuído um Operador de Rede de Distribuição.
75
76
**Figura 2-** Rede de distribuição em Portugal
77
78
# **Transporte e armazenamento**
79
80
A distribuição do gás natural pode ser realizada por:
81
82
- <u>Gasodutos</u>: operam a pressões relativamente altas, para
83
permitir transportar maiores quantidades. Este sistema é projetado
84
com o máximo rigor e tecnologias avançadas que visam a diminuição da
85
necessidade de armazenamento deste combustível, assim como o uso de
86
botijas e os seus riscos associados. Estas tubulações encontram-se a
87
cerca de um metro de profundidade e transportam o gás natural
88
previamente comprimido a 80 bar e a uma velocidade de cerca de 30
89
km/h. Ao longo destas instalações encontram-se inseridas várias
90
estações que permitem manter o gás na pressão adequada, garantir a
91
segurança e possibilitam a manutenção e operação do gasoduto. Quando
92
o gás chega a território nacional, é adicionada uma molécula
93
odorífera que lhe introduz um odor característico para detetar uma
94
fuga ou emissão acidental nas canalizações. Em Portugal, no ano de
95
2023, a extensão dos gasodutos rondava os 1375 km.
96
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
97
98
<img src="./image3.png" />
99
100
**Figura 3 -** Imagem ilustrativa de um gasoduto<sup>\[11\]
101
102
- <u>Embarcações</u>: designadas por navios-tanque de GNL. O gás é
103
previamente arrefecido até temperaturas inferiores a 160ºC para que
104
atinja a liquefação. Após o transporte, é encaminhado para redes de
105
distribuição ou para pontos de armazenamento. Uma parte do gás
106
importado é armazenado em cavernas subterrâneas. Estas reservas de
107
gás permitem assegurar um abastecimento constante em todas as
108
estações.
109
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
110
111
<img src="./image4.gif" />
112
113
**Figura 4 -** Animação ilustrativa de uma embarcação GNL
114
115
O armazenamento do gás natural pode ser em:
116
117
- <u>Cavernas subterrâneas:</u> encontram-se sob pressões elevadas,
118
para gestão dos fluxos comerciais de gás natural, mas também para a
119
constituição de reservas estratégicas e para fins operacionais.
120
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
121
122
- <u>Reservatórios extintos de petróleo/gás:</u> é o método mais
123
simples de ser aplicado. Através desta metodologia, o gás é mantido
124
em estruturas porosas e permeáveis, que já armazenavam
125
hidrocarbonetos no passado, confinadas por rochas impermeáveis. De
126
maneira a manter a pressão de funcionamento, é necessário manter
127
permanentemente cerca de 50 a 60% do gás existente na formação como
128
“base gás”. Como anteriormente estes reservatórios já estiveram
129
cheios de gás natural e hidrocarbonetos, não é necessária a injeção
130
da totalidade do “base gás” que se torna fisicamente irrecuperável.
131
Este facto provoca um impulso económico significativo,
132
principalmente em períodos em que os preços do gás se encontram
133
elevados, evitando assim o desperdício. Tradicionalmente, estas
134
instalações operam num único ciclo anual: o gás é injetado durante
135
os períodos de baixa procura (Verão) e comercializado nos picos de
136
consumo (Inverno). <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
137
138
- <u>Aquíferos:</u> São massas rochosas com alta porosidade e
139
permeabilidade, contidas entre rochas impermeáveis que acumulam água
140
no subsolo, sendo exploradas como fontes naturais ou através de
141
poços perfurados no local podendo, em alguns casos, serem utilizados
142
para armazenamento subterrâneo de gás natural. Em geral, o
143
armazenamento em aquíferos é o mais caro de ser implementado. Como o
144
aquífero inicialmente contém água, pouco gás ocorrerá na formação,
145
assim, do gás que é injetado, grande parte será fisicamente
146
impossível de ser extraído, cerca de 80% do gás irá constituir o gás
147
de base. Consequentemente, a maioria destas instalações é construída
148
quando os preços do gás se encontram em patamares inferiores,
149
reduzindo assim o custo de instalação. Normalmente, este tipo de
150
aquífero é o menos desejável, no entanto, em alguns casos, os
151
aquíferos são as únicas estruturas localizadas perto dos centros de
152
consumo e não muito longe dos gasodutos, tornando o armazenamento
153
eficiente. A maioria está instalada entre 500 e 2500 m de
154
profundidade, com pressões a variar entre 40 a 300 bar, porosidades
155
iguais ou superiores a 10% e permeabilidade acima de 20m *Darcy*.
156
Habitualmente, estas instalações apresentam um único ciclo anual de
157
operação de modo semelhante aos reservatórios. Ainda assim, o
158
impacto ambiental desta opção é menor, comparativamente com as
159
cavidades salinas, pois não é necessária injeção de água, nem
160
processamento da salmoura. No entanto, a sua utilização só é
161
permitida se o aquífero apresentar níveis de salinização que tornem
162
a água imprópria para consumo. <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
163
164
<img src="./image5.png" />
165
166
**Figura 5 -** Imagem ilustrativa de reservatórios, aquíferos e cavernas
167
de gás natural <sup>\[13\]</sup>
168
169
Em Portugal existem instalações de armazenamento de gás no Carriço, que
170
correspondem a cavidades salinas com grande profundidade, interligadas
171
com uma estação de gás que gere a injeção, a partir da rede de
172
transporte com recurso a compressores ou a extração com sistemas de
173
desidratação do gás para posterior injeção na rede de transporte, nas
174
condições técnicas adequadas. Também em Sines, foram descarregados
175
<span class="mark">145 000 m<sup>3</sup> de GNL em 2023.</span>
176
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
177
178
Em suma, Portugal é um dos países da União Europeia com reservas acima
179
dos 90% de capacidade.
180
181
## Aplicações
182
183
O gás natural tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no
184
contexto energético: é uma fonte energética económica, flexível,
185
polivalente, com excelentes características ambientais, tornando-se um
186
produto com uma amplitude de aplicações muito vasta, desde a produção de
187
eletricidade, calor ou frio, até à utilização nos transportes. Deve
188
ainda ser referido que consoante a aplicação do gás natural este deve
189
ser submetido a um processamento de forma a remover nitrogénio, água ou
190
para a obtenção de *by-products*, como por exemplo etano, propano e
191
butano.
192
<sup>\[1\],\ \[2\] </sup>
193
194
<img src="./image6.png" />
195
196
**Figura 6 -** Consumo de gás natural por setor nos Estados Unidos da
197
América
198
199
## Principal aplicação
200
201
Uma das principais aplicações do gás natural é a produção de hidrogénio
202
por *steam reforming*. Esta via consiste na reação entre metano e vapor
203
de água, a qual origina monóxido de carbono e hidrogénio.
204
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
205
206
## Setor Residencial
207
208
Domesticamente, através dos gasodomésticos ???, o gás natural pode ser
209
utilizado para cozinhar, lavar e secar, na obtenção de água quente,
210
aquecimento e climatização. Está associado a custos reduzidos de
211
manutenção, da fatura energética tornando-se muito atrativo para
212
a população. <sup>\[1\],\ \[2\],</sup> <sup>\[7\]</sup>
213
214
Setor da Mobilidade
215
216
O gás natural tem sido muito requisitado nos transportes públicos,
217
transportes individuais, nos transportes marítimos, pesados e na
218
ferrovia. A sua utilização tem vindo a crescer nas suas duas formas de
219
abastecimento: o GNL (gás natural liquefeito) e o GNC (gás natural
220
comprimido). Existem soluções de abastecimento dos veículos domésticos,
221
empresariais (para pequenas frotas) e públicos, estando Portugal a dar
222
passos importantes no sentido de implementar infraestruturas no país com
223
estações de enchimento capazes de responder à procura.
224
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
225
226
Estes tipos de combustível têm vindo a reduzir cerca de 25% as emissões
227
de dióxido de carbono em relação ao gasóleo e 20-30% em relação à
228
gasolina. Além de tornarem os veículos mais silenciosos, também libertam
229
menos odor quando comparados aos automóveis que utilizam combustíveis
230
tradicionais. <sup>\[7\]</sup>
231
232
## Setor da Indústria
233
234
Ao ser versátil pode ser utilizado em diversos setores como cerâmica,
235
vidro, indústria química, têxtil e alimentar. É também amplamente
236
aplicado em caldeiras, fornos, secadores, aquecimento e cogeração.
237
<sup>\[1\],\ \[2\],\ \[7\]</sup>
238
239
A sua utilização oferece uma solução energética eficiente devido às
240
diversas vantagens que apresenta. A principal vantagem da sua utilização
241
é a sua combustão limpa, ou seja, não produz resíduos sólidos nem
242
cinzas. Além disso, por ser uma fonte de energia natural e menos
243
poluente, a manutenção é mais fácil, mais económica e menos frequente.
244
<sup>\[7\]</sup>
245
246
## Setor Terciário
247
248
Este setor abrange as atividades de serviços que utilizam o gás natural
249
para o seu funcionamento, como na restauração, hospitais, escolas,
250
lavandarias, entre outros. <sup>\[7\]</sup>
251
252
O Gás Natural é uma escolha natural de muitos empresários visto que
253
contribui para uma atividade empresarial mais sustentável, tem maior
254
eficiência e um preço mais atrativo quando comparado com os restantes
255
combustíveis. Além disso, é altamente compatível com equipamentos de
256
climatização e de *catering*. <sup>\[7\]</sup>
257
258
# Uso industrial
259
260
Como utilidade o gás natural pode ser utilizado em inúmeras instalações
261
auxiliares nos mais variados processos:
262
263
- <u>Aquecedores de água por contacto direto:</u> sistemas nos quais a
264
água é aquecida diretamente pelo gás combustível, havendo
265
transferência direta de calor entre a chama resultante da combustão
266
do gás e a água. Estes sistemas podem ser encontrados em algumas
267
configurações como aquecedores de água instantâneos ou aquecedores
268
de água sem tanque. Por norma, as suas eficiências rondam os 70%.
269
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
270
271
<img src="./image7.gif" />
272
273
**Figura 7 -** Representação do equipamento aquecedor de água por
274
contacto direto. <sup>\[17\]</sup>
275
276
- <u>Caldeiras de Co-queima:</u> a co-queima ou co-incineração de gás
277
natural em caldeiras pode contribuir para uma queima mais eficiente
278
e reduzir as emissões de poluentes em comparação com o uso exclusivo
279
de combustíveis sólidos, como carvão. Geralmente, nesta tecnologia,
280
o gás natural é apenas um combustível auxiliar à combustão de
281
outros, como por exemplo, carvão, madeira ou biomassa. Apesar deste
282
método apresentar perdas significativas de energia, a adição do gás
283
natural permite a redução da emissão de gases nocivos.
284
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
285
286
<img src="./image8.png" /> style="width:2.03646in;height:1.58316in"
287
288
**Figura 8 -** Imagem ilustrativa de uma caldeira a gás natural
289
<sup>\[14\]</sup>
290
291
- <u>Bomba de calor de absorção de gás:</u> envolve o uso de uma fonte
292
de calor, frequentemente gás natural, para impulsionar o processo de
293
absorção e fornecer aquecimento ou refrigeração. As bombas de calor
294
de absorção de gás são uma alternativa aos sistemas convencionais de
295
compressão de vapor e são conhecidas pela sua eficiência energética
296
em algumas condições de operação. Consiste num ciclo de permuta de
297
calor alimentada por gás natural, onde numa primeira fase é feita a
298
combustão do gás natural, criando um aumento de pressão e de
299
temperatura da mistura de água e do fluido térmico, levando a um
300
gradiente que permite a remoção eficaz de calor do ar.
301
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
302
303
<img src="./image9.png" />
304
305
**Figura 9-** Imagem ilustrativa do funcionamento de uma Bomba de calor
306
de absorção de gás <sup>\[18\]</sup>
307
308
- <u>Ciclo combinado:</u> os sistemas de ciclo combinado são uma forma
309
eficiente de geração de energia elétrica que combina dois ciclos
310
diferentes: o ciclo de *Rankine* (ciclo a vapor) e o ciclo *Brayton*
311
(ciclo a gás). Geralmente, o gás natural é utilizado como
312
combustível neste tipo de sistemas. Esta tecnologia permite a
313
utilização da energia libertada na queima do gás natural para
314
promover o movimento da turbina e, de seguida, transformar a energia
315
mecânica gerada em energia elétrica. Para além disto, a energia dos
316
gases que se formam durante a combustão, a elevadas temperaturas,
317
podem ser recuperados.
318
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
319
320
<img src="./image10.png" />
321
322
**Figura 10 -** Imagem ilustrativa da planta de um ciclo combinado
323
<sup>\[15\]</sup>
324
325
# **Segurança e emissões gasosas**
326
327
## Efeitos da Exposição ao Gás Natural
328
329
O gás natural oferece riscos ao ser humano através da sua inalação e/ou
330
exposição, causando dificuldades respiratórias, dor de cabeça, náuseas,
331
tonturas, fadiga e em casos de maior exposição pode levar a perdas de
332
consciência, de coordenação motora ou até à morte por asfixia.
333
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
334
335
## Medidas de Segurança do Gás Natural
336
337
O vazamento deste combustível pode rapidamente apresentar risco de
338
explosão, sendo apenas necessária a concentração de 5% do volume para
339
que seja criada uma atmosfera explosiva e com a presença de uma ignição
340
entre em combustão. Neste sentido, as instalações de gás natural têm de
341
estar equipadas com vários equipamentos de segurança como válvulas de
342
corte e detetores de fuga devidamente sinalizadas e protegidos de
343
descargas elétricas para que atuem em caso de incêndio ou fuga de gás.
344
Para além disso, é necessário um sistema de purga para retirar os
345
líquidos condensados de modo a evitar o entupimento nas tubagens. Para a
346
utilização dos detetores de forma eficiente, é necessário considerar os
347
gases e materiais perigosos do ambiente, as propriedades do gás natural
348
e o fluxo de ar do local. <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
349
350
## Comportamento e Riscos do Gás Natural em Caso de Fuga
351
352
Em caso de fuga, tendo em conta que, a condições normais (1 atm e 25°C),
353
a sua densidade (0.648 kg/m3) é inferior à densidade do ar (1.184 kg/m3)
354
pelo que, o gás dispersar-se-á formando uma nuvem. Esta terá zonas com
355
concentrações dentro da gama de flamabilidade do gás natural,
356
nomeadamente, entre 4.4 e 15%. É ainda importante referir que este gás
357
apresenta um ponto de ebulição relativamente baixo de -162°C e ainda um
358
risco de autoignição para temperaturas superiores a 595°C.
359
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
360
361
O grau de perigo depende da quantidade de gás presente e da ventilação
362
do local. Em gamas de 25% a 30% de gás presente no ar, a falta de
363
oxigénio levará a mudanças de comportamento e a um zumbido no ouvido.
364
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
365
366
## Emissões
367
368
A decomposição do gás natural produz óxidos de carbono (CO<sub>x</sub>),
369
óxidos de enxofre (SO<sub>x</sub>) e óxidos de nitrogénio
370
(NO<sub>x</sub>). Assim, quando entra em contacto com o ar, oxidantes ou
371
compostos halogenados, o gás natural poderá formar uma mistura perigosa
372
e até mesmo explosiva. <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
373
374
As emissões de dióxido de enxofre (SO<sub>2</sub>) e óxidos de
375
nitrogénio contribuem para o aparecimento de chuvas com elevada acidez
376
causando efeitos negativos nos ecossistemas terrestres e aquáticos.
377
Provocam doenças nos animais e plantas e contribuem para a acumulação de
378
metais pesados nas cadeias alimentares. <sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
379
380
Ao utilizar gás natural na combustão reduz-se drasticamente as emissões
381
de SO<sub>2</sub>. Já as emissões de NOx, dependem mais do tipo de
382
combustão realizada do que o tipo de combustível utilizado. No entanto,
383
a utilização de tecnologias inovadores, associadas ao gás natural,
384
possibilitam a redução das emissões de óxidos de nitrogénio.
385
<sup>\[6\]</sup>
386
387
Após a reabertura da economia em 2021, findado o período de pandemia, as
388
emissões de gases com efeito de estufa provenientes da extração,
389
processamento e transporte de petróleo e gás natural sofreram um aumento
390
global de cerca de 5%, para cerca de 5,5 gigatoneladas (Gt) de dióxido
391
de carbono equivalente (CO<sub>2,\ eq</sub>). No ano seguinte, foram
392
libertadas 5,1 Gt de CO<sub>2,\ eq</sub> a nível global, contabilizando
393
assim cerca de 15% do total de emissões diretas (*scope 1*).
394
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
395
396
A Agência Internacional de Energia (AIE) considera que as emissões de
397
gases de efeito de estufa (*GHG*) provenientes da extração,
398
processamento e transporte de combustíveis fósseis não estão a diminuir,
399
o que poderá colocar em risco as metas definidas para a descarbonização
400
até 2050. Estas emissões estão a evoluir no sentido oposto face àquele
401
em que a economia mundial atinge a neutralidade carbónica.
402
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
403
404
# **Vantagens e desvantagens**
405
406
Atualmente, pretende-se que seja atingida a utilização de energias 100%
407
renováveis. Com esse foco a utilização de gás natural, como fonte de
408
energia, apresenta diversas vantagens, nomeadamente em termos
409
ambientais, económicos e de eficiência e segurança.
410
411
Devido à sua composição, este é considerado como a fonte de energia mais
412
limpa e menos poluente quando comparado com outros combustíveis fósseis,
413
como o petróleo ou o carvão, uma vez que origina menores impactos
414
ambientais, contribui para a redução dos gases de efeito de estufa
415
(*GHG*) e para uma melhor qualidade do ar. Por apresentar uma menor
416
densidade comparativamente ao ar, em caso de fuga, dissipa-se
417
rapidamente. A sua densidade também é inferior à do petróleo e do
418
carvão.
419
420
Os produtos resultantes da queima deste combustível são inodoros e
421
isentos de partículas de óxido de enxofre e não geram outros tipos de
422
resíduos o que permite prolongar o tempo de vida dos equipamentos
423
utilizados visto que não promove a sua corrosão.
424
425
Como referido anteriormente, o seu transporte e distribuição são
426
constantes e, ao longo dos mesmos não ocorrem transformações e as perdas
427
são minimizadas, então o gás natural chega ao local de utilização
428
praticamente inalterado e num menor tempo útil o que o torna mais
429
eficiente e seguro quando comparado com outras fontes de energia.
430
Apresenta um transporte seguro ao longo dos gasodutos e das embarcações
431
, quando liquefeito, e é de fácil armazenamento.
432
433
O gás natural apresenta um preço competitivo face aos combustíveis
434
tradicionais que ao combinar a sua utilização constante e queima
435
eficiente permite maximizar o rendimento dos equipamentos, diminuindo os
436
custos de energia e de manutenção.
437
438
Para resumir, o gás natural é considerado como a alternativa energética
439
económica e eficiente, tendo em conta o custo-benefício.
440
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
441
442
No entanto, tudo tem as suas desvantagens. A principal desvantagem da
443
utilização de gás natural reside na sua utilização excessiva, uma vez
444
que este é um combustível fóssil, não renovável e por isso apresenta um
445
tempo de vida limitado. Embora o grau de poluição seja inferior ao de
446
petróleo e carvão mineral, ainda representa uma fração significativa de
447
poluição atmosférica.
448
449
Nem todos os países apresentam reservas de gás natural, como é o caso de
450
Portugal, uma vez que estas se encontram inseridas em estruturas
451
geológicas específicas. Deste modo, a sua extração e distribuição
452
representa um elevado investimento inicial para que sejam construídas as
453
infraestruturas técnicas necessárias. O processo de obtenção,
454
principalmente a etapa de extração do gás das reservas, pode ser
455
prejudicial para o meio ambiente quando não realizado corretamente de
456
acordo com as normas de segurança, ou ainda, em casos de acidentes e de
457
vazamentos.
458
459
Durante a utilização de gás natural, as principais preocupações residem
460
em questões de segurança, dado que é extremamente inflamável e explosivo
461
e pode originar compostos tóxicos, como CO que é extremamente
462
prejudicial para a saúde humana. Durante a utilização doméstica poderá
463
causar incêndios, explosões ou acidentes por asfixia tendo em conta que
464
é inodoro.
465
466
A utilização de *shale gas*, gás natural não convencional, tem vindo a
467
ser associada a questões ambientais causadas pela técnica de fratura
468
hidráulica, uma vez que a sua extração e utilização inadequada afeta o
469
meio ambiente através de infiltrações de gás natural nos cursos de água
470
e da fuga de químicos de extração de resíduos, tornando a água
471
inflamável e provocando o desabamento de terras.
472
473
Concluindo, as precauções com a segurança são a maior preocupação a ter
474
com o gás natural, pois o risco de explosão é real e evitável.
475
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
476
477
# **Sustentabilidade e o seu futuro**
478
479
<span class="mark">A transição para uma economia de baixo carbono é um
480
dos grandes desafios do nosso tempo.</span> Requer o comprometimento de
481
governos, empresas e da sociedade como um todo. Para tal, é fundamental
482
investir em tecnologias limpas e eficientes, além de promover a educação
483
ambiental e o uso consciente dos recursos naturais.
484
<span class="mark"><sup>\[3\],\ \[4\]</sup></span>
485
486
Assim, o gás natural surge como solução para reduzir a emissão de gases
487
de efeito estufa, promovendo a preservação do meio ambiente e a proteção
488
da biodiversidade. No entanto, para garantir que a extração, transporte
489
e utilização do gás natural sejam feitos de forma sustentável, é
490
imprescindível adotar medidas rigorosas de monitoramento e controlo,
491
para minimizar impactos ambientais e proteger a biodiversidade.
492
<span class="mark"><sup>\[3\],\ \[4\]</sup></span>
493
494
<span class="mark">Tem se verificado na área da indústria, uma evolução
495
rápida da inovação e tecnologia pelo que, é fundamental que as empresas
496
estejam atentas aos desafios e oportunidades que vão surgindo.</span>
497
Nesse contexto, o avanço em pesquisas e o desenvolvimento de novas
498
fontes de energia renovável, como o hidrogénio verde e o biometano,
499
representam uma alternativa viável para diversificar o *mix* energético
500
e reduzir a dependência dos combustíveis
501
fósseis.<span class="mark"><sup>\[3\],\ \[4\]</sup></span>
502
503
Para garantir uma constante competitividade e sustentabilidade, é
504
necessário adotar soluções tecnológicas avançadas, promover a
505
colaboração com *startups,* politécnicos e universidades, entre outros.
506
Na atual transição energética, a sustentabilidade ambiental requer uma
507
abordagem que vá além da redução das emissões de carbono, como a
508
preservação da biodiversidade, o uso responsável dos recursos naturais e
509
a necessidade de promover o desenvolvimento sustentável.
510
<span class="mark"><sup>\[3\],\ \[4\]</sup></span>
511
512
# **Estudo de mercado**
513
514
O consumo de gás natural em Portugal é geralmente dividido em dois
515
segmentos principais: <sup>\[8\]</sup>
516
517
- <u>Mercado Elétrico:</u> refere-se ao gás natural utilizado pelas
518
centrais de ciclo combinado para a produção de eletricidade.
519
520
- <u>Mercado Convencional:</u> engloba o consumo doméstico e
521
industrial, excluindo a produção de eletricidade. Este segmento está
522
subdividido em três categorias:
523
524
- GRMS – Distribuição;
525
526
- Clientes de Alta Pressão;
527
528
- UAG – Unidades Autónomas de Gaseificação.
529
530
<img src="./image11.png" />
531
532
**Figura 11 -** Repartição do consumo em 2024 em Portugal <sup>\[8\]</sup>
533
534
Como podemos observar na **Figura 11**, grande parte do consumo pertence
535
ao mercado convencional, onde se engloba a indústria.<sup>\[8\]</sup> É
536
ainda expectável que as exigências deste setor continuem a aumentar. Os
537
desafios e oportunidades na Infraestrutura do Gás Natural passam pela
538
logística e distribuição, regulamentação e políticas e investimentos
539
necessários. <sup>\[9\]</sup>
540
541
Os principais produtores de gás natural no mundo foram os EUA, a Rússia,
542
o Irão e a República Popular da China.<sup>\[10\]</sup>
543
544
<img src="./image12.png" />
545
546
**Figura 12** - Evolução da produção e importação de gás natural no
547
mundo
548
549
Através da **Figura 12**, conseguimos perceber que a partir do ano 2000
550
houve um aumento significativo desempenhando um papel essencial para que
551
fossem alcançadas reduções significativas de emissões de poluentes.
552
Desde o início do século até 2021 houve um aumento de 68%, como pode ser
553
verificado na figura acima.
554
555
Em Portugal, a utilização de gás natural é mais acentuada em uso
556
doméstico e em uso industrial. O preço médio do gás natural em Portugal
557
nas diferentes bandas para o ano de 2024 está representado na **Figura
558
13**. Através desta figura, verifica-se que para consumidores da banda
559
I4, Portugal apresenta um preço médio inferior ao preço médio da União
560
Europeia, considerando que este encontra-se entre os países com mais
561
taxas e impostos no setor doméstico. Já no segmento doméstico, é um dos
562
países que se apresenta à frente da União Europeia.
563
<sup>\[1\],\ \[2\]</sup>
564
565
<img src="./image13.png" />
566
567
**Figura 13 -** Preços médios nas bandas de consumo mais representativas
568
de Portugal <sup>\[16\]</sup>
569
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